Gosto de ler e escrever, de fotografar e ser fotografado, dos meus filhos, das minhas lindas cadelinhas dálmata, de plantas, de vinho tinto e branco bem fresquinho, de praia, de chuva lá fora, de sol na cara, de vento, de dançar, do meu amor que adoro, de caipirinha, de balouçar numa rede, de mergulhar numa piscina, de música, muita, de uma lareira de inverno, de sentir um abraço em volta de mim, de pregar partidas, de cócegas, de massagens, de gente séria que sabe quem é e o que quer, do carnaval, de viajar por esse mundo, de preguiçar no sofá, de conduzir, de sonhar e lembrar-me dos sonhos, de noites de lua cheia com 30º na rua, de arte, de design, da minha casa, de conhecer gente nova, de reencontrar velhas caras, de mim (às vezes), de ostras, de massas, de dourada ao sal, de um beijo na bochecha, de um "gosto de ti" sussurrado, de oferecer pequenos nadas às pessoas de que gosto, de abraçar e dormir em concha, do cheiro de terra molhada e de roupa lavada, de Lisboa, dos Açores e Madeira, do Minho e do Alentejo e das suas paredes brancas, e de gostar de alguém.
Não gosto de mentiras e fachadas, de pessoas mesquinhas, do mau feitio quando conduzo, de empregados de balcão com mania que são bons, de elevadores lentos, de sair à rua e apanhar chuva e frio, do telemóvel quando ninguém telefona, de vespas, de inseguranças, de atacadores molhados, de cheiro a suor e de me sentir melado e pegajoso, de limpar o pó, de vento a levantar a areia na praia, de engarrafamentos, de ser tratado de modo paternalista, de barulho quando quero dormir, de silêncio quando quero festa, de migas, de mim (às vezes), de leite de soja, de me viciar na internet e nos cigarros.