Autor: sa rufino Data: 2017-07-16 11:46:36 Visitas: 44
 

 


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Descrição da Foto
“ Quantos dias quer de chaminé ? ”

O mestre pedreiro algarvio costumava fazer esta pergunta ao proprietário da casa para a qual iria construir a chaminé. Com efeito, o preço da chaminé, um dos símbolos da região algarvia, calculava-se pelo tempo que ela demorava a erguer. Quanto mais específico e elaborado era o seu desenho, mais cara se tornava. Eram as chaminés da vaidade do proprietário. É por isso que as chaminés algarvias têm as formas mais diversas. Há-as de todos os modelos e para todos os gostos só tendo como limite a imaginação de quem as faz.

Muitas vezes passamos por elas sem as ver mas, se estivermos minimamente atentos, elas surgirão aos nossos olhos, em casas antigas ou modernas, numa multiplicidade e beleza que vale a pena registar.

Cilíndricas ou prismáticas, quadradas ou rectangulares, simples ou elaboradas, as chaminés algarvias são um símbolo da região e uma prova da influência de cinco séculos de ocupação árabe.

Um legado arquitectónico e ornamental presente em grande parte das cidades e vilas do sul de Portugal e visível nas ruas estreitas, na estrutura das casas e no ar de minaretes das chaminés que adornam os telhados.

E no Algarve não havia duas chaminés iguais, porque os mais ou menos elaborados motivos decorativos dependiam sempre dos dias de construção, do prestígio, da vaidade e das posses do proprietário.

Aliás, era costume entre os mestres pedreiros perguntar quantos dias queriam de chaminé para avaliar o valor da chaminé a construir, que se traduzia no tempo que a mesma demorava a erigir.

Quanto mais delicada e difícil era a sua elaboração, mais dispendiosa se tornava.

A cor predominante era o branco da cal, mas honrosas excepções mostram ainda hoje alguns motivos coloridos, sobretudo em tons ocres e azuis.

Esta é uma das principais razões por que as chaminés algarvias ostentam as mais variadas formas, desde as simples ranhuras, aos complicados e belos rendilhados, ou à representação em miniatura de torres de relógio ou de casas. Mas sempre um símbolo visível da arte popular, uma prova de perícia para cada pedreiro e um motivo de orgulho para qualquer proprietário.

Mais do que pura utilidade, as chaminés algarvias desempenhavam um papel ornamental, sendo prova disso a presença de duas chaminés nas casas de campo, numa região em que as condições climatéricas pouco o justificam.

A chaminé de uso e também a mais simples e mais funcional ficava situada na casa do forno, onde era costume fazer as refeições, enquanto a chaminé rendilhada, mais pequena e personificada, ocupava um lugar de destaque na cozinha da própria casa, compartimento apenas utilizado para receber visitas ou organizar festas.

Em termos práticos, a chaminé era considerada um sinal de presença de pessoas nas casas, um bom indício do estado do tempo e o local onde era marcada a data de construção da casa.

O interior do Algarve, especialmente Querença, Martinlongo e Monchique são os locais onde melhor se podem contemplar estas seculares chaminés algarvias, uma arte de formas geométricas e rendilhados diversos, rematada a cal, que simboliza o prestígio e a vaidade dos proprietários.
Informação Técnica
Esta foto possui 4 comentário s
LIZfotografia
MARAVILHA, AMEI, GRADE DESCRIÇÃO PBS, FIQUEI A SABER UM POUCO MAIS, BJO

José Fernando Ribeiro (Zenando)
Excelente registro, com um texto claro e rico de informações. Parabéns, e obrigado!

Silvério António Silva
Grande registo.

Jorge Uoxinton
Bem Al, essa chaminé. Cores do Algarve. Linda imagem.

EXIF
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Modo: Normal
Compensação: 0,00
Distância Focal: 12.8 mm
Data: 2017:07:07 23:08:45
Software: PhotoScape
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